Democracia à prova de extremos: como o TSE garantiu o voto em 2024

Sob a presidência da ministra Cármen Lúcia, a Justiça Eleitoral superou enchentes no Sul e secas na Amazônia para assegurar o voto de 155 milhões de brasileiras e brasileiros

Enchentes no Rio Grande do Sul e seca severa na região Norte marcaram o contexto das Eleições Municipais 2024. Diante desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) organizou o pleito com uma operação que foi além da tecnologia e das urnas eletrônicas. Quando a ministra Cármen Lúcia assumiu a Presidência do Tribunal, em 3 de junho de 2024, o cenário para as eleições era desafiador e foi preciso reafirmar a capacidade de resposta da Justiça Eleitoral.   

A partir desta terça-feira (5), o Portal do TSE inicia uma série especial de três reportagens sobre o biênio que marcou a gestão da ministra. Além das Eleições 2024, o material abordará iniciativas institucionais, campanhas, premiações e a preparação para as Eleições 2026, bem como jurisprudências firmadas pelo Plenário.  

Logística em cenário extremo  

Os efeitos das mudanças climáticas impactaram diretamente a organização do pleito. O diálogo com os tribunais regionais eleitorais (TREs) foi o pilar condutor. A ministra Cármen Lúcia iniciou uma série de encontros temáticos com presidentes dos tribunais estaduais para alinhar o que chamou de “logística da solidariedade”.

• No Rio Grande do Sul, após as enchentes históricas registradas entre abril e maio, o TSE enviou 6,5 mil urnas eletrônicas de reserva para substituir equipamentos danificados (submersos).   

• Na região Norte, a seca extrema na Amazônia exigiu uma operação inédita. Com rios não navegáveis, o TSE e o TRE-AM utilizaram sete helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB), o que totalizou mais de 140 horas de voo para garantir o transporte de urnas a comunidades isoladas.

“Onde houver um eleitor, haverá uma urna”, afirmou a ministra em pronunciamento, destacando que a democracia não pode ser barrada pelo clima.

Inclusão e representatividade  

Para Cármen Lúcia, a logística técnica é o meio; a representatividade é o fim. Durante a gestão, a ministra incentivou candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas, com medidas voltadas à efetiva destinação de recursos de campanha para essas candidaturas.  

Nas eleições daquele ano, 52,7% das candidaturas foram de pessoas negras — o maior percentual já registrado. “A pluralidade é um direito constitucional. Não se faz democracia sem o espelho da sociedade no poder”, defendeu a presidente.  

Transparência e enfrentamento da desinformação  

Em 26 de setembro, foi inaugurado, em Brasília, o Centro de Divulgação das Eleições (CDE) 2024. O espaço foi estruturado para atendimento à imprensa nacional e internacional e divulgação de dados em tempo real.

No local, a ministra reiterou o combate às fake news e ao uso indevido de inteligência artificial, classificando a desinformação como uma "toxina democrática".  

1/ Galeria de imagens
arte gráfica contendo números sobre as Eleições Municipais de 2024
Eleições 2024 em números

Estrutura da Justiça Eleitoral   

Por trás da interface da urna, opera um corpo técnico vasto que mobiliza ministros, desembargadores, cerca de três mil juízas e juízes eleitorais, além de milhares de servidores dos 27 TREs e dos cartórios eleitorais.   

Mais do que organizar a votação, 2024 evidenciou a atuação da Justiça Eleitoral como instituição capaz de conciliar função jurisdicional, operação logística em cenários adversos e promoção de inclusão social. Como definiu a ministra, votar no Brasil tornou-se um “exercício de coragem e esperança”.  

Duas vezes presidente  

Em 3 de junho de 2024, o Plenário do TSE não apenas testemunhou uma troca de comando, mas, sim, um reencontro. Ao ser empossada como presidente da Corte, Cármen Lúcia ocupou a cadeira pela segunda vez – a primeira havia sido em 2012 –, tornando-se a primeira mulher a realizar tal feito. Sua posse foi marcada por um discurso em defesa da paz, da verdade e da integridade do processo eleitoral.   

Ao seu lado, como vice-presidente, assumiu o ministro Nunes Marques.  

Novo biênio  

O ministro Nunes Marques assumirá a Presidência do TSE na próxima terça-feira, 12 de maio, e terá como vice-presidente o ministro André Mendonça.  

Entre os principais desafios, estão a realização das Eleições Gerais de 2026, a organização administrativa do Tribunal, o fortalecimento da segurança das urnas eletrônicas e o enfrentamento contínuo da desinformação.  

A sucessão segue o critério de antiguidade entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que integram o TSE, em sistema de rodízio, o que assegura estabilidade institucional e alternância de poder ao longo dos ciclos eleitorais.  

OA/JP/DB 

Leia na próxima matéria da série: Os eventos e as campanhas para o público externo e interno e prêmios lançados pelo TSE.   

 

 


Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Maio/democracia-a-prova-de-extremos-como-o-tse-garantiu-o-voto-em-2024